Como eu conheci a Manuela

Sabem aquela frase manjada que todos usam que diz que NADA ACONTECE POR ACASO? Por mais clichê que seja, em muitos momentos da minha vida, ela se fez verdade! E em um destes momentos entra a história da minha amizade de quase quinze anos com a Manuela.
No último ano de faculdade conheci um cara bem legal. Não preciso entrar em detalhes, mas o fato é que ele mostrou algum possível interesse sim. Ele era uma graça. Bonito, educado, inteligente, papo bom, interessante e o genro que toda mãe gostaria de ter. E neste possível interesse dele, ele foi sim correspondido.
Porém… Eu havia acabado de terminar um relacionamento super sério – talvez o único sério e relevante que eu tive na vida toda. Propus ficarmos amigos. E mesmo morando em cidades diferentes levamos a amizade adiante. A gente tinha amigos em comum.
Depois de uns bons meses de amizade, eis que me vejo olhando de forma diferente pro carinha. Tarde demais! Aí ele não estava mesmo a fim e já era. Quem esnoba por último, esnoba melhor! E eu dancei! Dancei nada! Mantive a amizade fazendo de conta que isso, na época, bastava pra mim. E o tal cara ñ parava de falar de uma amiga. E eu tinha raiva daquela amiga, claro! Era Manuela pra lá, Manuela pra cá… Pensei “perdi pra esta tal Manuela”.
A gente se afastou, mas ainda nos ligávamos no aniversário e no Natal. Então em maio de 2002, quando ele me ligou pra me desejar um lindo aniversário, contei pra ele que esta voltando pra Inglaterra pra mais uma temporada. E o que eu tive que ouvir dele? “Ah sabe a Manuela?” Respirei fundo e pensei que ele fosse dizer que se casou com a Manuela… Quando eu estava esboçando um “parabéns, sejam felizes”, ele continuou: “a Manuela está morando há um bom tempo na Inglaterra. Agüenta aí que eu vou te passar o email dela e aí vcs podem trocar ideias, ela vai adorar!”
45 segundos de silêncio… Não sabia se eu ria mas agradecia a fofurice dele ou, claro, se eu encerrava a conversa por ali sem falar mais nada. Até porque estava na cara que ele estava me zoando! Mas eu fui forte! Respirei fundo, contando até sei lá quanto e mandei na lata: “vou adorar me comunicar com a Manuela, pode passar o email dela”! Ele passou, eu escrevi porque já havia passado 6 meses na Inglaterra e sabia que ter alguém pra conversar, da nossa idade que fale o nosso idioma, faz uma diferença significativa.
Escrevi pra Manuela! Alguns emails depois já estávamos amigas de infância. Ela me ajudou com todas as dicas possíveis e, graças a ela, minha segunda temporada na terra da rainha foi em tudo melhor que a primeira. Eu estava em Northampton e ela morava em Notthingham, na terra do Robin Hood, e a gente se falava every single week!
Temos a mesma idade. Ela é de 19 de maio e eu do dia 22 do mesmo mês. E somos absurdamente parecidas. A gente praticamente pensa igual! Se eu tivesse tido uma irmã ñ seria tão absurdamente igual (nos gostos e preferências, na forma de pensar, de ver e de tocar a vida). Eu voltei ao Brasil, Manu se tornou a Mrs. Green e é mamãe do Noah! Mas tempo e distância ñ mudaram isso. Pelo contrário, viramos balzacas seletivas mas parece que nos entendemos ainda mais. Podemos ficar muito tempo sem nos vermos – o que infelizmente acaba acontecendo por morarmos um pouco “longe” uma da outra. Mas longe dos olhos e muito perto do coração.
E o tal amigo em comum? Sei lá! Sumiu. Nunca mais soube dele. Mas através dele conheci uma das minhas amigas mais lindas: a Manuela de quem um dia, sem conhecê-la, tive ciúmes. A gente é tão besta quando tem 20 e poucos anos (sem querer generalizar claro mas a maioria é!)
Este rapaz cumpriu a “missão” dele na minha história. Talvez não passasse na cabeça dele que um dia a Manuela seria minha amiga e vice-versa. Talvez ele achou que ela fosse somente servir como uma boa anfitriã na minha volta ao Reino Unido. Mas graças a ele eu ganhei uma irmã pra sempre e só lamento ela morar longe – ou eu ñ morar no mesmo país que ela. 🙂

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *