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Aos nove anos, um dos meus passatempos favoritos era assistir a As Meninas Superpoderosas na televisão. Se me perguntassem naquela época, eu não saberia exatamente o motivo principal, já que não parava muito para pensar a respeito. Talvez indicasse as fofas personagens, a história, as cores e a ideia fixa de que tudo ficaria bem no final, porque mais uma vez o mundo seria salvo por elas. Pensando bem, era isso mesmo… Só que tinha mais por trás.

Na hora das brincadeiras, era fácil vir à mente a ideia de que eu poderia reproduzir os atos das três heroínas. Lutava com vilões imaginários com a força da Docinho, bolava os planos mais estratégicos assim como a Florzinha e sempre me lembrava de ver tudo com os olhos amáveis da Lindinha. No fim das contas, no meu mundo da imaginação, eu tinha uma grande força.

Mas será que só na imaginação, mesmo? Esta força também me acompanhou em vários momentos enquanto fui crescendo e, mesmo deixando o desenho animado na gaveta, seus traços inspiradores construíram algo em mim. Tijolinhos que moldaram o que sou hoje.

Eu nem sabia, mas aquela influência tinha feito uma super diferença. O mundo nos envia desde sempre uma carga muito grande de ideias, julgamentos e concepções e é fundamental ter contato com um bom conteúdo empoderador, para que a gente cresça fazendo o que manda o nosso coração, com liberdade e garra.

Hoje, no Dia Internacional das Garotas, eu olho pra frente e espero muito – mas, ao mesmo tempo, começo com pouco, dentro da sala de casa: desejando que aquelas meninas que estão assistindo a um simples desenho se enxerguem nos papéis mais fortes que encontrarem. E que aquelas que não tem a possibilidade de ter boas referências possam descobrir a fonte de poder que existe dentro de todas de alguma forma. Só que aí me surge a questão: de que forma?

Mesmo que elas não saibam da existência do cartoon que tanto foi importante para mim, o que acho fundamental de verdade é que nós lutemos por elas até que todas possam lutar por si mesmas. E, tão importante quanto, que passemos a mensagem adiante sempre – até que um dia ela esbarre em todas essas pequenas fontes de luz. E que, então, estas se vejam no espelho e enxerguem o potencial real que existe ali.

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